Acrópole XXI
Localização: Acrópole de Évora - Portugal [Mapa]
Cliente: Câmara Municipal de Évora
Data do Projecto: Nov 2009
Engenharia: Triede/Omf/Ap
Endereço: Évora
Descrição:
Saber envelhecer é aceitar a idade e a experiência, não nos refugiando numa redoma, afastados do mundo ou afirmando até à exaustão o nosso paternalismo; é disponibilizar a nossa história e informação acumulada, passando-a aos outros com quem nos cruzamos, sejam da casa ou forasteiros.
Essa disponibilização sé será aproveitada por outrem, se a embalagem for continuamente actualizada, ao ritmo da moda, mantendo a atractividade e a apetência para a partilha.
Mas, a imagem a cada momento não será a transcrição dos códigos do novo, sempre diferente e mais exigente, mas sim a interpretação desses códigos à luz da diferença, que a idade com as suas marcas introduz.
Assim é para os homens, assim é ainda mais para as mulheres, assim é para as cidades.
Todos nós à medida que o tempo passa, nos sentimos aprisionados num corpo que envelheceu, não entendendo porque deixamos de ser atractivos ou participantes à luz da novidade e juventude permanente, e que a contemporaneidade exige. Somos uma curiosidade, às vezes interessante e adulta; somos vistos, na maior parte dos casos, como um obstáculo à inovação.
Como pode então, uma mente jovem num corpo envelhecido, transmitir a visão interna, para além da barreira da imagem externa?
Questão constante que nos ocupa permanentemente e nos imobiliza e marginaliza.
Assalta-nos então, a vontade perigosa de parecer jovem através de um exercício travesti e bacoco; seremos quase sempre julgados como desprezo e condescendência pelos estranhos, e desajustada e passível de envergonhar quem nos é próximo ou convive connosco.
Manutenção, intervenções de actualização, discrição, adequação da maquilhagem e roupagem ao corpo, selecção da tendência, será então o caminho da afirmação da diferença e não o seguidismo tout-court da moda e que nega a idade.
Projecto Geral de Arquitectura
O projecto agora apresentado é referente à 3ª fase do estudo e corresponde a uma evolução da solução, vencedora do concurso de ideias promovido pela Câmara Municipal de Évora, fruto da alteração de programa, já descrito em fase anterior, e das sucessivas aproximações e diálogos entre a equipa projectista e os diferentes serviços ou entidades chamadas a intervir.
Para que a leitura possa ser eficaz, elaboramos uma descrição espaço a espaço, onde apontamos a concepção global e as alterações agora introduzidas, por força de questões específicas apontadas em parecer ou, como consequência indirecta dessas mesmas alterações.
Em consequência da alteração programática para o espaço do reservatório elevado e da demolição preconizada, por nós, das instalações sanitárias públicas existentes na Travessa de S. Joãozinho, indicou a Autarquia a sua reinstalação no referido espaço do depósito, como forma de dignificar aquela oferta de serviços e o espaço agora vazio de funções.
O projecto apresentado, tem como objectivos estabelecer o contínuo urbano envolvendo a estrutura elevada e transformar aquela zona numa área vivida com elevado nível de agradabilidade e qualidade de serviços. O conjunto, agora em apreço, incorpora as instalações técnicas existentes, redesenhando a fachada e o volume, por forma a estabelecer um primeiro plano à altura do tardoz dos laboratórios e do portão de entrada do pátio contíguo. Este aumento de volume é também necessário para resistir ao confronto de escalas com o depósito e com o novo corpo que alinha pelo Palácio dos Condes de Soure e, assim, fecha o abraço.
Este corpo em dois pisos, relaciona-se de forma deliberada e óbvia com aquele palácio, construindo um remate para o mesmo mas, ao mesmo tempo, distanciando-se o necessário para se autonomizar e criar um objectivo para esse espaço intersticial. Edifício branco, com poucas fenestrações sobre o jardim agora criado, e balançado sobre o espaço livre para aligeirar o impacto da novidade sobre o arruamento público; balanço que permite criar um espaço de estadia e estabelecer a transição entre as diferentes cotas e as diferentes funcionalidades.
No local das actuais instalações sanitárias, propõe-se criar um elemento apelativo, visível da Rua de Dona Isabel, capaz de atrair o visitante para essa rua estreita que conduz directamente ao Jardim Diana e ao templo. No recanto resultante da demolição daquele equipamento, é construída uma parede em alvenaria, encostada ao limite da propriedade privada contígua. Nesta estrutura e nas costas do banco a ela acoplado, uma parede de água estabelece o ambiente de frescura necessário à pausa e, assim, estabelecer a transição para a surpresa do espaço aberto e monumental após o labirinto e a dimensão reduzida das ruas e travessas do centro histórico.
Esta estrutura não ultrapassará a cércea do edifício existente, para que o arco de reforço no canto entre as duas paredes possa ter uma leitura clara da rua. A realização desta estrutura dependerá, em qualquer caso, da qualidade do aparelho no muro limite da propriedade da Fundação Eugénio de Almeida e da confirmação da existência de um vão entaipado e de que o referido arco poderá ser parte.
A preocupação em reduzir a variedade de elementos e desenhos nos pavimentos, expressa nos diferentes pareceres, veio questionar alguns dos materiais utilizados nas intervenções anteriores e apontadas desde sempre como solução de continuidade a garantir neste projecto. A necessidade de uniformizar a estereotomia nas zonas pedonais e nas zonas apontadas como de trânsito condicionado no Plano de Acessibilidades e Estacionamento, veio questionar a utilização do cubo de granito de 5x5 cm. Nessa medida e apos consulta a fabricantes regionais, indica-se uma solução de ladrilho de granito com face visível de 5x5 cm, mas com 11 cm de altura. Esta pequena alteração, associada a um reforço da base de assentamento, vem permitir que nas ruas de maior inclinação e onde a tracção mecânica poderia degradar o pavimento, possa igualmente ser mantido o mesmo material e a mesma imagem.
Consideramos, certamente, estarmos perante uma solução francamente positiva, que vem contribuir para uma simplificação do desenho e para a qual este estudo aponta desde o seu inicio.
Mantendo um perceptível traço comum em todos os espaços, estes diferenciam-se naturalmente, fruto da sua topografia e do diálogo com os edifícios e espaços envolventes, permitindo a apreensão da individualidade para além do conjunto.
Essa mesma individualidade socorre-se do desenho para induzir percursos ou estabelecer relações de cumplicidade com espaços anexos entrevistos ou anunciados e que encerram em si mesmo a surpresa e a sedução própria das cidades de origem medieval.
Largos e praças
Largo do Conde de Vila Flor e Jardim Diana
Propõe-se para a área do Templo e do jardim Diana uma alteração conceptual, atribuindo ao templo o papel central de toda a intervenção, colocando-o sobre um “plateau” ao nível da sua fundação e globalmente cerca de 35cm acima da cota actual dos arruamentos circundantes.
Esta solução permite unificar diferentes zonas, gerando uma imagem mais poderosa e mais atractiva. Esta aparente menorização do jardim Diana, remete para uma faixa lateral a este “plateau” a organização do novo jardim que se alonga e contorna o Palácio da Inquisição.
Esta plataforma suportada por elementos estruturais paralelos em betão pousados sobre o terreno, e unidos de 4 em 4 metros, de acordo com a malha utilizada vulgarmente na arqueologia e que não interferirá com as eventuais escavações, adquirirá no topo a leitura de uma folha já que a estrutura referida está recuada e a consola revestida com elementos metálicos de reduzida dimensão e impacto, que reforçarão a ideia de plano imaginário que repõe a cota do terreno primitivo.
Mais uma vez a solução corta com os diferentes zonamentos, estabelecendo, por afinidade e contraste uma unidade global de atracção superior. A transição por escadas e o remate por espelho de água ou bar transparente acentuam a nova dimensão deste conjunto e a sua relação com os níveis altimétricos anteriores e existentes.
Este bar, redesenhado nas suas dimensões e implantação, revestido a vidro e coberto por lâminas também de vidro (fosco), encerra a área de jardim e separa-a da área de esplanada; esta por se encontrar à cota do terreno actual, permitirá a sua utilização sem excessiva interferência no perfil da plataforma contra o azul do céu. Esta separação caracteriza o jardim como urbano e controla a surpresa para a visão da linha do horizonte sobre espaço agrícola, para além da cidade.
A utilização de elementos transparentes pretende atenuar o impacto destes volumes e potenciar a animação nocturna de todo o espaço desta plataforma. Nessa conformidade, as instalações de apoio são enterradas e com acesso por escadas e meios mecânicos.
Por contraste com o “plateau” maioritariamente pavimentado e de textura contínua, o novo jardim de desenvolvimento paralelo, organiza-se geometricamente, desenvolvendo sucessivos espaços a partir de percursos transversais que vão absorvendo variações vegetais, bancos e caminhos no seu interior, prolongando-se visualmente pelo espaço limítrofe, embora de propriedade privada e ocasionalmente encerrado por gradeamento metálico.
Perdida a centralidade geométrica, o monumento ao Dr. Barahona é deslocado para um dos pontos focais actuais, o do actual quiosque, que assume na nova proposta a centralidade de ponto de encontro.
Este “plateau” sofreu algumas correcções, nomeadamente no alinhamento, na sua relação com o terreno circundante e na sua imagem. Assim, o lago deixa de estar saliente da plataforma, fruto de uma correcção do seu alinhamento e do muro de contenção que lhe serve de apoio; também a plataforma se fixa numa altura de 30 cm em relação ao jardim e a escadaria de acesso em frente ao Museu varia entre 48 cm (3 alturas) e o nível do pavimento no seu canto Este. Por último e para não cortar a visibilidade do Palácio de Cadaval, desapareceram as arvores e o rectângulo relvado, assumindo a plataforma o contraste absoluto entre o vazio e o preenchido (área ajardinada anexa), agora mais uma vez de regresso ao seu conceito original.
Na área de acesso à Pousada e Igreja dos Lóios é criado um pequeno degrau em granito, nascendo do cunhal e morrendo a zero um pouco mais à frente da actual plataforma de granito. Esta plataforma, necessária ainda hoje para impedir o parqueamento mesmo defronte destes edifícios, perde sentido com a pedonização de toda a área de intervenção, pelo que, naturalmente desaparece ganhando o adro fronteiro uma maior dimensão. Para definir o limite do espaço mais recolhido, propõe-se unicamente um elemento escultórico designado como “lua”, assente sobre uma laje contígua à caldeira.
Também aqui e tendo em atenção a simplificação e a diminuição do impacto, foi redesenhada a escadaria de acesso ao Jardim do Paço e a guia que faz a desmaterialização do passeio que nasce na rua do Menino Jesus.
Com a alteração promovida pela proposta, a implantação dos elementos escultóricos é na sua totalidade reconsiderada. Considerando haver actualmente um número excessivo, a sua reimplantação obedece ao novo desenho e distribui-se por área mais alargada. Para além dos já referidos, nesta área mantém-se o elemento escultórico no interior do actual tanque, que transita também para situação idêntica dentro de água, embora rodando 90º e perdendo o protagonismo anteriormente projectado.
Os outros elementos serão retirados do local e posicionados em diferentes espaços, procurando que a sua reimplantação contribua para a requalificação dessas áreas e para o aumento da sua atractividade. Alguns (o mais alto e esguio), não cabem dentro da área objecto de intervenção pelo que nos limitamos a sugerir eventuais localizações - na plataforma inferior do Largo da Misericórdia no extremo oposto à Igreja contra empena do edifício.
Largos Marquês de Marialva e Dr. Mário Chicó
A intervenção descrita permite clarificar a relação entre o espaço de templo e o conjunto formado pela Sé e Museu (Largo Marquês de Marialva e Dr. Mário Chicó); a diferenciação altimétrica permite desenhar o pavimento linear envolvendo o Museu, conduzindo o visitante da fachada principal da Sé até à sua cabeceira.
A perda de área ajardinada e a necessidade de organizar este espaço, fruto de duas áreas aparentemente funcionalmente distintas, motivou o redesenho da caldeira e o reposicionamento dos bancos. Nessa medida, dois grupos de bancos foram projectados, mantendo-se um junto à fachada do Museu e paralelos à mesma e, em substituição dos automóveis e enquadrando a fonte/fontanário, um segundo grupo organizado de forma perpendicular ao percurso e permitindo a visibilidade nos dois sentidos, desenhado à imagem das antigas conversadeiras.
Esta mesma solução diferenciada, foi adoptada na área ajardinada do Jardim Diana, junto ao monumento ao Dr. Barahona, e ao longo do caminho principal de penetração.
A transição entre o espaço sob os plátanos e o adro da Sé é assegurado por uma rampa que garante cargas e descargas do Museu e o acesso à Catedral por pessoas com mobilidade reduzida; “A Canção da América” , escultura de Pedro Croft, reforça esta transição.
Do outro lado, a plataforma defronte do Palácio da Inquisição é desenhada de acordo com a proposta da Fundação Eugénio de Almeida depois de garantidas as necessárias compatibilizações de altimetria, estereotomia e alinhamentos. Esta proposta estabelece um pátio de honra que permite dialogar com a plataforma do Templo e receber periódica e temporariamente peças de arte que ultrapassando as paredes do Palácio da Inquisição poderão animar o espaço público e ser usufruídos livremente por qualquer cidadão.
No Largo Mário Chicó, onde acaba a passadeira que contorna o Museu, desenha-se uma praça regular rematada por uma escadaria que se transforma em bancada, possibilitada pelo recuo do muro de suporte da plataforma defronte do Museu das Carruagens e que permite nivelar melhor aquele espaço, dotando-a de condições naturais para actividades de permanência e, ao mesmo tempo, melhorar a percepção da catedral.
Assumindo a diferença tipológica e construtiva da cabeceira em relação ao restante edifício da catedral, também aqui se desenha um pavimento envolvendo aquela, em cubos de mármore de 11x11 cm, a nível diferenciado dos restantes espaços públicos por guias rampeadas em granito.
No lado oposto ao Museu das Carruagens, no fim da referida passadeira que passa sob a galeria que une exteriormente a Biblioteca ao Museu, implanta-se o elemento escultórico conhecido como os “namorados”, atraindo para este largo quem deambula pelo “plateau” do templo e indicando o caminho para outros espaços de grande qualidade , mas de menor visibilidade.
Largo e Rampa de S. Miguel
Procurando responder a uma proposta da Fundação Eugénio de Almeida, a escadaria, paralela ao acesso automóvel na rampa, encontra o percurso reinterpretado da Porta existente, do eventual Castelo Novo dos Freires. Este percurso, à semelhança do existente, corta o terreno do lado poente mantendo visível essa marca na rocha e pousa no lado nascente sobre a escarpa rochosa, através de um muro de granito de coloração idêntica e que a continua.
A intersecção proporciona uma inflexão no alinhamento da escadaria e que corresponde ao limite actual do lancil, justificando um desenho que hoje só existe por motivos viários. Cremos que esta solução, embora de forma livre, vem resolver uma ferida provocada pelo traçado da rua do Colégio e nunca cicatrizada.
A articulação entre a rampa e o largo é afirmada pela continuação da escadaria transformada em passadeira, e pela sua intersecção com a quadrícula do pavimento referenciada ao portão do Palácio dos Condes de Basto e ao adro da capela.
De forma a garantir um duplo sentido na rampa de S. Miguel, desenha-se uma nova escada encostada ao muro existente e apontada à passadeira no inicio da rua Conde Serra da Tourega. Esta solução alarga o entroncamento permitindo aqui a espera, que justifica a alternância viária.
Largo de Miguel de Portugal
Este espaço até agora ocupado por estacionamento de automóveis e de difícil acesso pedonal, justifica uma intervenção que possibilite a eliminação da barreira arquitectónica, estabeleça uma ligação mais franca entre as duas plataformas que enquadram as fachadas da igreja e do claustro da catedral e permita a leitura do conjunto sem a perturbação do automóvel.
A organização do parqueamento na zona central, possibilitada pelo reordenamento arbóreo, embora com perda de lugares, proporciona a leitura de toda a envolvente construída e a possibilidade desenhada de encaixar uma rampa, em três lances, e escadas, encostadas à parede lateral do Palácio do Vimioso. Esta implantação corrige o empeno no largo, transformando-o num espaço mais regular, e liberta o adro da Sé da actual escada que o amputa e desencoraja a transposição de cotas. O novo acesso penetra no largo, permitindo a sua apreensão por etapas, e acaba na base da torre, dando uso e sentido àquele espaço.
Pequenas alterações na largura da rampa (1º lance), e no acesso rampeado ao n Museu de Arte Sacra, foram agora introduzidas melhorando a acessibilidade e não questionando a solução adoptada.
Largo de Alexandre Herculano
De forma irregular, onde os peões e os automóveis confluem de vários acessos, este largo passará a organizar-se em função da fachada lateral da igreja de Santiago, enquanto elemento dominante formal e espiritual. Corporizando esta ideia, o pavimento em calçada será dividido por faixas paralelas em granito que se alinham pela métrica irregular dos contrafortes, projectando no chão a verticalidade parcialmente encoberta pelas construções anexas. Não sendo de todo interessante reproduzir a totalidade dos diferentes percursos, é desenhado no pavimento passadeira que assume como principal, o percurso entre o fim da Rua Nova e os acessos à zona monumental pela rua Vasco da Gama e à principal rua comercial através da rua de Burgos. Esta passadeira, agora mais curta e menos larga, corta a estrutura paralela obliquamente, estabelecendo o diálogo entre a rigidez construtiva e a fluidez do percurso em espaço aberto. Uma única árvore e implantada no cruzamento destas duas estruturas, marca a transição para o adro da igreja e para o pátio privado.
Pátio do Salema
Espaço extraordinário, teatral e cénico, marcado pela galeria que o atravessa e quase o divide, tem vivido até hoje numa menoridade vivencial nocturna, que a recente abertura de um espaço lúdico veio disfarçar, mas que, só com a reabertura do Salão Central Eborense e a manutenção da S.O.I.R., poderá atingir a atractividade e a funcionalidade que merece. A intervenção proposta recria a solução inicial e tenta, unicamente, realçar a unidade do mesmo, definindo uma quadrícula em guias de granito alinhada pela estrutura porticada. Como noutros espaços, as luminárias no pavimento e complementares às tradicionais lanternas, reforçarão a importância do elemento construído através da iluminação dos arcos e abóbadas.
Ruas pedonais e /ou mistas com vocação preferencialmente pedonal
Com excepção da Travessa de S. Joãozinho, todas as ruas pedonais e/ou mistas com vocação preferencialmente pedonal, assumirão a mesma tipologia de pavimento, em ladrilho de granito de 5x5x11 cm e passadeira de lajes de granito central (Travessa das Casas Pintadas, Rua de Dona Isabel – sector estreito), ou passadeira lateral com guias transversais dividindo a calçada em panos de cerca de 5m de desenvolvimento (Rua de Valdevinos, Rua de Burgos, Rua de Diogo Cão - sector estreito, Rua Nova e Rua 5 de Outubro).
Ruas mistas
Estas ruas, embora de uso pedonal mais ou menos intenso, suportarão o transito preferencial de acesso aos diferentes sectores; ainda assim e como já referido o pavimento será em ladrilho de granito de 5x5x11 cm, ladeado por passadeira de granito de dimensão variável, em função da largura do arruamento (Ruas da Freiria de Cima e de Baixo, Rua do Cenáculo, Rua de Valdevinos – até às escadas de acesso ao Largo de S. Vicente, Rua de Diogo Cão e Rua de S. Mancos).
A Rua Vasco da Gama, embora de tipologia idêntica, merece especial referência pois incorpora, num espaço lateral, a interpretação dos vestígios arqueológicos da “Decumanus Maximus” até agora conhecidos. Um pavimento em lajeado de granito de bordo ligeiramente irregular, com a largura da Via, integrará o desenho reconstituído dos pavimentos e da estrutura porticada descoberta, esta em mármore em duas dimensões; de uma forma mais abstracta e também em mármore, serão assinalados os locais das restantes colunas. Esta reconstituição à cota do pavimento do arruamento deverá ser reconhecida como tal, pelo que será implantado no local painel informativo.
Ruas de acesso à Acrópole
As ruas de Dona Isabel, Francisco Soares Lusitano, Augusto Filipe Simões e Largo da Misericórdia (sector superior) são zonas de transição entre a área intervencionada e as zonas limítrofes, pelo que os arruamentos em ladrilhos de granito de 5x5x11 cm são ladeados por passeios que vão fazendo gradualmente a transição ao longo da rua para o nivelamento de todos os sectores.
Estacionamento
Os locais de estacionamento não correspondem totalmente aos previstos no relatório pois o levantamento topográfico mais rigoroso e a consequente avaliação da ocupação do espaço de circulação “versus” parqueamento determinou uma nova distribuição. Na quase totalidade dos lugares previstos foi contemplada a sua marcação recorrendo a guias de mármore branco com 10 cm de espessura, facilmente removíveis em caso de anulação do lugar.
Muralhas de Évora
Como marcação de entrada em território objecto desta intervenção, são traçados nos pavimentos dos arruamentos, lajeados de granito, obedecendo aos alinhamentos que os vestígios arqueológicos testemunham ou os estudos de investigação propõem.
Mobiliário
Todos os bancos serão em madeira com costas, sendo os pés em estrutura ou assentes sobre blocos de granito. Com excepção a esta regra, o banco associado à caldeira no Largo Alexandre Herculano segue o desenho e a regra do espaço contíguo, Largo do Sertório, estabelecendo assim a continuidade e a transição dentro da própria área de intervenção.
Projecto de concurso no separador "EM CURSO"
Essa disponibilização sé será aproveitada por outrem, se a embalagem for continuamente actualizada, ao ritmo da moda, mantendo a atractividade e a apetência para a partilha.
Mas, a imagem a cada momento não será a transcrição dos códigos do novo, sempre diferente e mais exigente, mas sim a interpretação desses códigos à luz da diferença, que a idade com as suas marcas introduz.
Assim é para os homens, assim é ainda mais para as mulheres, assim é para as cidades.
Todos nós à medida que o tempo passa, nos sentimos aprisionados num corpo que envelheceu, não entendendo porque deixamos de ser atractivos ou participantes à luz da novidade e juventude permanente, e que a contemporaneidade exige. Somos uma curiosidade, às vezes interessante e adulta; somos vistos, na maior parte dos casos, como um obstáculo à inovação.
Como pode então, uma mente jovem num corpo envelhecido, transmitir a visão interna, para além da barreira da imagem externa?
Questão constante que nos ocupa permanentemente e nos imobiliza e marginaliza.
Assalta-nos então, a vontade perigosa de parecer jovem através de um exercício travesti e bacoco; seremos quase sempre julgados como desprezo e condescendência pelos estranhos, e desajustada e passível de envergonhar quem nos é próximo ou convive connosco.
Manutenção, intervenções de actualização, discrição, adequação da maquilhagem e roupagem ao corpo, selecção da tendência, será então o caminho da afirmação da diferença e não o seguidismo tout-court da moda e que nega a idade.
Projecto Geral de Arquitectura
O projecto agora apresentado é referente à 3ª fase do estudo e corresponde a uma evolução da solução, vencedora do concurso de ideias promovido pela Câmara Municipal de Évora, fruto da alteração de programa, já descrito em fase anterior, e das sucessivas aproximações e diálogos entre a equipa projectista e os diferentes serviços ou entidades chamadas a intervir.
Para que a leitura possa ser eficaz, elaboramos uma descrição espaço a espaço, onde apontamos a concepção global e as alterações agora introduzidas, por força de questões específicas apontadas em parecer ou, como consequência indirecta dessas mesmas alterações.
Em consequência da alteração programática para o espaço do reservatório elevado e da demolição preconizada, por nós, das instalações sanitárias públicas existentes na Travessa de S. Joãozinho, indicou a Autarquia a sua reinstalação no referido espaço do depósito, como forma de dignificar aquela oferta de serviços e o espaço agora vazio de funções.
O projecto apresentado, tem como objectivos estabelecer o contínuo urbano envolvendo a estrutura elevada e transformar aquela zona numa área vivida com elevado nível de agradabilidade e qualidade de serviços. O conjunto, agora em apreço, incorpora as instalações técnicas existentes, redesenhando a fachada e o volume, por forma a estabelecer um primeiro plano à altura do tardoz dos laboratórios e do portão de entrada do pátio contíguo. Este aumento de volume é também necessário para resistir ao confronto de escalas com o depósito e com o novo corpo que alinha pelo Palácio dos Condes de Soure e, assim, fecha o abraço.
Este corpo em dois pisos, relaciona-se de forma deliberada e óbvia com aquele palácio, construindo um remate para o mesmo mas, ao mesmo tempo, distanciando-se o necessário para se autonomizar e criar um objectivo para esse espaço intersticial. Edifício branco, com poucas fenestrações sobre o jardim agora criado, e balançado sobre o espaço livre para aligeirar o impacto da novidade sobre o arruamento público; balanço que permite criar um espaço de estadia e estabelecer a transição entre as diferentes cotas e as diferentes funcionalidades.
No local das actuais instalações sanitárias, propõe-se criar um elemento apelativo, visível da Rua de Dona Isabel, capaz de atrair o visitante para essa rua estreita que conduz directamente ao Jardim Diana e ao templo. No recanto resultante da demolição daquele equipamento, é construída uma parede em alvenaria, encostada ao limite da propriedade privada contígua. Nesta estrutura e nas costas do banco a ela acoplado, uma parede de água estabelece o ambiente de frescura necessário à pausa e, assim, estabelecer a transição para a surpresa do espaço aberto e monumental após o labirinto e a dimensão reduzida das ruas e travessas do centro histórico.
Esta estrutura não ultrapassará a cércea do edifício existente, para que o arco de reforço no canto entre as duas paredes possa ter uma leitura clara da rua. A realização desta estrutura dependerá, em qualquer caso, da qualidade do aparelho no muro limite da propriedade da Fundação Eugénio de Almeida e da confirmação da existência de um vão entaipado e de que o referido arco poderá ser parte.
A preocupação em reduzir a variedade de elementos e desenhos nos pavimentos, expressa nos diferentes pareceres, veio questionar alguns dos materiais utilizados nas intervenções anteriores e apontadas desde sempre como solução de continuidade a garantir neste projecto. A necessidade de uniformizar a estereotomia nas zonas pedonais e nas zonas apontadas como de trânsito condicionado no Plano de Acessibilidades e Estacionamento, veio questionar a utilização do cubo de granito de 5x5 cm. Nessa medida e apos consulta a fabricantes regionais, indica-se uma solução de ladrilho de granito com face visível de 5x5 cm, mas com 11 cm de altura. Esta pequena alteração, associada a um reforço da base de assentamento, vem permitir que nas ruas de maior inclinação e onde a tracção mecânica poderia degradar o pavimento, possa igualmente ser mantido o mesmo material e a mesma imagem.
Consideramos, certamente, estarmos perante uma solução francamente positiva, que vem contribuir para uma simplificação do desenho e para a qual este estudo aponta desde o seu inicio.
Mantendo um perceptível traço comum em todos os espaços, estes diferenciam-se naturalmente, fruto da sua topografia e do diálogo com os edifícios e espaços envolventes, permitindo a apreensão da individualidade para além do conjunto.
Essa mesma individualidade socorre-se do desenho para induzir percursos ou estabelecer relações de cumplicidade com espaços anexos entrevistos ou anunciados e que encerram em si mesmo a surpresa e a sedução própria das cidades de origem medieval.
Largos e praças
Largo do Conde de Vila Flor e Jardim Diana
Propõe-se para a área do Templo e do jardim Diana uma alteração conceptual, atribuindo ao templo o papel central de toda a intervenção, colocando-o sobre um “plateau” ao nível da sua fundação e globalmente cerca de 35cm acima da cota actual dos arruamentos circundantes.
Esta solução permite unificar diferentes zonas, gerando uma imagem mais poderosa e mais atractiva. Esta aparente menorização do jardim Diana, remete para uma faixa lateral a este “plateau” a organização do novo jardim que se alonga e contorna o Palácio da Inquisição.
Esta plataforma suportada por elementos estruturais paralelos em betão pousados sobre o terreno, e unidos de 4 em 4 metros, de acordo com a malha utilizada vulgarmente na arqueologia e que não interferirá com as eventuais escavações, adquirirá no topo a leitura de uma folha já que a estrutura referida está recuada e a consola revestida com elementos metálicos de reduzida dimensão e impacto, que reforçarão a ideia de plano imaginário que repõe a cota do terreno primitivo.
Mais uma vez a solução corta com os diferentes zonamentos, estabelecendo, por afinidade e contraste uma unidade global de atracção superior. A transição por escadas e o remate por espelho de água ou bar transparente acentuam a nova dimensão deste conjunto e a sua relação com os níveis altimétricos anteriores e existentes.
Este bar, redesenhado nas suas dimensões e implantação, revestido a vidro e coberto por lâminas também de vidro (fosco), encerra a área de jardim e separa-a da área de esplanada; esta por se encontrar à cota do terreno actual, permitirá a sua utilização sem excessiva interferência no perfil da plataforma contra o azul do céu. Esta separação caracteriza o jardim como urbano e controla a surpresa para a visão da linha do horizonte sobre espaço agrícola, para além da cidade.
A utilização de elementos transparentes pretende atenuar o impacto destes volumes e potenciar a animação nocturna de todo o espaço desta plataforma. Nessa conformidade, as instalações de apoio são enterradas e com acesso por escadas e meios mecânicos.
Por contraste com o “plateau” maioritariamente pavimentado e de textura contínua, o novo jardim de desenvolvimento paralelo, organiza-se geometricamente, desenvolvendo sucessivos espaços a partir de percursos transversais que vão absorvendo variações vegetais, bancos e caminhos no seu interior, prolongando-se visualmente pelo espaço limítrofe, embora de propriedade privada e ocasionalmente encerrado por gradeamento metálico.
Perdida a centralidade geométrica, o monumento ao Dr. Barahona é deslocado para um dos pontos focais actuais, o do actual quiosque, que assume na nova proposta a centralidade de ponto de encontro.
Este “plateau” sofreu algumas correcções, nomeadamente no alinhamento, na sua relação com o terreno circundante e na sua imagem. Assim, o lago deixa de estar saliente da plataforma, fruto de uma correcção do seu alinhamento e do muro de contenção que lhe serve de apoio; também a plataforma se fixa numa altura de 30 cm em relação ao jardim e a escadaria de acesso em frente ao Museu varia entre 48 cm (3 alturas) e o nível do pavimento no seu canto Este. Por último e para não cortar a visibilidade do Palácio de Cadaval, desapareceram as arvores e o rectângulo relvado, assumindo a plataforma o contraste absoluto entre o vazio e o preenchido (área ajardinada anexa), agora mais uma vez de regresso ao seu conceito original.
Na área de acesso à Pousada e Igreja dos Lóios é criado um pequeno degrau em granito, nascendo do cunhal e morrendo a zero um pouco mais à frente da actual plataforma de granito. Esta plataforma, necessária ainda hoje para impedir o parqueamento mesmo defronte destes edifícios, perde sentido com a pedonização de toda a área de intervenção, pelo que, naturalmente desaparece ganhando o adro fronteiro uma maior dimensão. Para definir o limite do espaço mais recolhido, propõe-se unicamente um elemento escultórico designado como “lua”, assente sobre uma laje contígua à caldeira.
Também aqui e tendo em atenção a simplificação e a diminuição do impacto, foi redesenhada a escadaria de acesso ao Jardim do Paço e a guia que faz a desmaterialização do passeio que nasce na rua do Menino Jesus.
Com a alteração promovida pela proposta, a implantação dos elementos escultóricos é na sua totalidade reconsiderada. Considerando haver actualmente um número excessivo, a sua reimplantação obedece ao novo desenho e distribui-se por área mais alargada. Para além dos já referidos, nesta área mantém-se o elemento escultórico no interior do actual tanque, que transita também para situação idêntica dentro de água, embora rodando 90º e perdendo o protagonismo anteriormente projectado.
Os outros elementos serão retirados do local e posicionados em diferentes espaços, procurando que a sua reimplantação contribua para a requalificação dessas áreas e para o aumento da sua atractividade. Alguns (o mais alto e esguio), não cabem dentro da área objecto de intervenção pelo que nos limitamos a sugerir eventuais localizações - na plataforma inferior do Largo da Misericórdia no extremo oposto à Igreja contra empena do edifício.
Largos Marquês de Marialva e Dr. Mário Chicó
A intervenção descrita permite clarificar a relação entre o espaço de templo e o conjunto formado pela Sé e Museu (Largo Marquês de Marialva e Dr. Mário Chicó); a diferenciação altimétrica permite desenhar o pavimento linear envolvendo o Museu, conduzindo o visitante da fachada principal da Sé até à sua cabeceira.
A perda de área ajardinada e a necessidade de organizar este espaço, fruto de duas áreas aparentemente funcionalmente distintas, motivou o redesenho da caldeira e o reposicionamento dos bancos. Nessa medida, dois grupos de bancos foram projectados, mantendo-se um junto à fachada do Museu e paralelos à mesma e, em substituição dos automóveis e enquadrando a fonte/fontanário, um segundo grupo organizado de forma perpendicular ao percurso e permitindo a visibilidade nos dois sentidos, desenhado à imagem das antigas conversadeiras.
Esta mesma solução diferenciada, foi adoptada na área ajardinada do Jardim Diana, junto ao monumento ao Dr. Barahona, e ao longo do caminho principal de penetração.
A transição entre o espaço sob os plátanos e o adro da Sé é assegurado por uma rampa que garante cargas e descargas do Museu e o acesso à Catedral por pessoas com mobilidade reduzida; “A Canção da América” , escultura de Pedro Croft, reforça esta transição.
Do outro lado, a plataforma defronte do Palácio da Inquisição é desenhada de acordo com a proposta da Fundação Eugénio de Almeida depois de garantidas as necessárias compatibilizações de altimetria, estereotomia e alinhamentos. Esta proposta estabelece um pátio de honra que permite dialogar com a plataforma do Templo e receber periódica e temporariamente peças de arte que ultrapassando as paredes do Palácio da Inquisição poderão animar o espaço público e ser usufruídos livremente por qualquer cidadão.
No Largo Mário Chicó, onde acaba a passadeira que contorna o Museu, desenha-se uma praça regular rematada por uma escadaria que se transforma em bancada, possibilitada pelo recuo do muro de suporte da plataforma defronte do Museu das Carruagens e que permite nivelar melhor aquele espaço, dotando-a de condições naturais para actividades de permanência e, ao mesmo tempo, melhorar a percepção da catedral.
Assumindo a diferença tipológica e construtiva da cabeceira em relação ao restante edifício da catedral, também aqui se desenha um pavimento envolvendo aquela, em cubos de mármore de 11x11 cm, a nível diferenciado dos restantes espaços públicos por guias rampeadas em granito.
No lado oposto ao Museu das Carruagens, no fim da referida passadeira que passa sob a galeria que une exteriormente a Biblioteca ao Museu, implanta-se o elemento escultórico conhecido como os “namorados”, atraindo para este largo quem deambula pelo “plateau” do templo e indicando o caminho para outros espaços de grande qualidade , mas de menor visibilidade.
Largo e Rampa de S. Miguel
Procurando responder a uma proposta da Fundação Eugénio de Almeida, a escadaria, paralela ao acesso automóvel na rampa, encontra o percurso reinterpretado da Porta existente, do eventual Castelo Novo dos Freires. Este percurso, à semelhança do existente, corta o terreno do lado poente mantendo visível essa marca na rocha e pousa no lado nascente sobre a escarpa rochosa, através de um muro de granito de coloração idêntica e que a continua.
A intersecção proporciona uma inflexão no alinhamento da escadaria e que corresponde ao limite actual do lancil, justificando um desenho que hoje só existe por motivos viários. Cremos que esta solução, embora de forma livre, vem resolver uma ferida provocada pelo traçado da rua do Colégio e nunca cicatrizada.
A articulação entre a rampa e o largo é afirmada pela continuação da escadaria transformada em passadeira, e pela sua intersecção com a quadrícula do pavimento referenciada ao portão do Palácio dos Condes de Basto e ao adro da capela.
De forma a garantir um duplo sentido na rampa de S. Miguel, desenha-se uma nova escada encostada ao muro existente e apontada à passadeira no inicio da rua Conde Serra da Tourega. Esta solução alarga o entroncamento permitindo aqui a espera, que justifica a alternância viária.
Largo de Miguel de Portugal
Este espaço até agora ocupado por estacionamento de automóveis e de difícil acesso pedonal, justifica uma intervenção que possibilite a eliminação da barreira arquitectónica, estabeleça uma ligação mais franca entre as duas plataformas que enquadram as fachadas da igreja e do claustro da catedral e permita a leitura do conjunto sem a perturbação do automóvel.
A organização do parqueamento na zona central, possibilitada pelo reordenamento arbóreo, embora com perda de lugares, proporciona a leitura de toda a envolvente construída e a possibilidade desenhada de encaixar uma rampa, em três lances, e escadas, encostadas à parede lateral do Palácio do Vimioso. Esta implantação corrige o empeno no largo, transformando-o num espaço mais regular, e liberta o adro da Sé da actual escada que o amputa e desencoraja a transposição de cotas. O novo acesso penetra no largo, permitindo a sua apreensão por etapas, e acaba na base da torre, dando uso e sentido àquele espaço.
Pequenas alterações na largura da rampa (1º lance), e no acesso rampeado ao n Museu de Arte Sacra, foram agora introduzidas melhorando a acessibilidade e não questionando a solução adoptada.
Largo de Alexandre Herculano
De forma irregular, onde os peões e os automóveis confluem de vários acessos, este largo passará a organizar-se em função da fachada lateral da igreja de Santiago, enquanto elemento dominante formal e espiritual. Corporizando esta ideia, o pavimento em calçada será dividido por faixas paralelas em granito que se alinham pela métrica irregular dos contrafortes, projectando no chão a verticalidade parcialmente encoberta pelas construções anexas. Não sendo de todo interessante reproduzir a totalidade dos diferentes percursos, é desenhado no pavimento passadeira que assume como principal, o percurso entre o fim da Rua Nova e os acessos à zona monumental pela rua Vasco da Gama e à principal rua comercial através da rua de Burgos. Esta passadeira, agora mais curta e menos larga, corta a estrutura paralela obliquamente, estabelecendo o diálogo entre a rigidez construtiva e a fluidez do percurso em espaço aberto. Uma única árvore e implantada no cruzamento destas duas estruturas, marca a transição para o adro da igreja e para o pátio privado.
Pátio do Salema
Espaço extraordinário, teatral e cénico, marcado pela galeria que o atravessa e quase o divide, tem vivido até hoje numa menoridade vivencial nocturna, que a recente abertura de um espaço lúdico veio disfarçar, mas que, só com a reabertura do Salão Central Eborense e a manutenção da S.O.I.R., poderá atingir a atractividade e a funcionalidade que merece. A intervenção proposta recria a solução inicial e tenta, unicamente, realçar a unidade do mesmo, definindo uma quadrícula em guias de granito alinhada pela estrutura porticada. Como noutros espaços, as luminárias no pavimento e complementares às tradicionais lanternas, reforçarão a importância do elemento construído através da iluminação dos arcos e abóbadas.
Ruas pedonais e /ou mistas com vocação preferencialmente pedonal
Com excepção da Travessa de S. Joãozinho, todas as ruas pedonais e/ou mistas com vocação preferencialmente pedonal, assumirão a mesma tipologia de pavimento, em ladrilho de granito de 5x5x11 cm e passadeira de lajes de granito central (Travessa das Casas Pintadas, Rua de Dona Isabel – sector estreito), ou passadeira lateral com guias transversais dividindo a calçada em panos de cerca de 5m de desenvolvimento (Rua de Valdevinos, Rua de Burgos, Rua de Diogo Cão - sector estreito, Rua Nova e Rua 5 de Outubro).
Ruas mistas
Estas ruas, embora de uso pedonal mais ou menos intenso, suportarão o transito preferencial de acesso aos diferentes sectores; ainda assim e como já referido o pavimento será em ladrilho de granito de 5x5x11 cm, ladeado por passadeira de granito de dimensão variável, em função da largura do arruamento (Ruas da Freiria de Cima e de Baixo, Rua do Cenáculo, Rua de Valdevinos – até às escadas de acesso ao Largo de S. Vicente, Rua de Diogo Cão e Rua de S. Mancos).
A Rua Vasco da Gama, embora de tipologia idêntica, merece especial referência pois incorpora, num espaço lateral, a interpretação dos vestígios arqueológicos da “Decumanus Maximus” até agora conhecidos. Um pavimento em lajeado de granito de bordo ligeiramente irregular, com a largura da Via, integrará o desenho reconstituído dos pavimentos e da estrutura porticada descoberta, esta em mármore em duas dimensões; de uma forma mais abstracta e também em mármore, serão assinalados os locais das restantes colunas. Esta reconstituição à cota do pavimento do arruamento deverá ser reconhecida como tal, pelo que será implantado no local painel informativo.
Ruas de acesso à Acrópole
As ruas de Dona Isabel, Francisco Soares Lusitano, Augusto Filipe Simões e Largo da Misericórdia (sector superior) são zonas de transição entre a área intervencionada e as zonas limítrofes, pelo que os arruamentos em ladrilhos de granito de 5x5x11 cm são ladeados por passeios que vão fazendo gradualmente a transição ao longo da rua para o nivelamento de todos os sectores.
Estacionamento
Os locais de estacionamento não correspondem totalmente aos previstos no relatório pois o levantamento topográfico mais rigoroso e a consequente avaliação da ocupação do espaço de circulação “versus” parqueamento determinou uma nova distribuição. Na quase totalidade dos lugares previstos foi contemplada a sua marcação recorrendo a guias de mármore branco com 10 cm de espessura, facilmente removíveis em caso de anulação do lugar.
Muralhas de Évora
Como marcação de entrada em território objecto desta intervenção, são traçados nos pavimentos dos arruamentos, lajeados de granito, obedecendo aos alinhamentos que os vestígios arqueológicos testemunham ou os estudos de investigação propõem.
Mobiliário
Todos os bancos serão em madeira com costas, sendo os pés em estrutura ou assentes sobre blocos de granito. Com excepção a esta regra, o banco associado à caldeira no Largo Alexandre Herculano segue o desenho e a regra do espaço contíguo, Largo do Sertório, estabelecendo assim a continuidade e a transição dentro da própria área de intervenção.
Projecto de concurso no separador "EM CURSO"
Nuno Ribeiro Lopes
Architects
Arquitectos