Escola de S. Lourenço

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Localização: Portalegre - Portugal

Cliente: Parque Escolar

Data do Projecto: 2009

Data da Construção: 2010

Engenharia: Triede/Omf/Ap

Programa: Modernização do Parque Escolar

Endereço: Portalegre

Descrição:
Fruto da aplicação de um projecto tipo a um terreno rochoso e bastante íngreme, o edifício da Escola Secundária de São Lourenço, em Portalegre, encontra-se encaixado em plataformas a diferentes cotas, proporcionado ligações entre os edifícios principais a vários níveis. Esta particularidade gera situações de atravessamento bastante originais, demonstrando uma enorme flexibilidade de adaptação de um projecto, pensado para um terreno naturalmente plano. A adaptação à topografia determina ainda a criação de espaços diferenciados com uma leitura mais intimista, gerando enfiamentos visuais normalmente parcelares e não permitindo que a leitura global do edifício seja possível aos primeiros olhares.

Ao longo do tempo, esta característica foi-se diluído já que o espaço descoberto perdeu agradabilidade, generalizou um único tipo de pavimento, concentrou a actividade escolar unicamente na sua área central, banalizando a qualidade e ocultando a diversidade espacial e visual.

Este conjunto, de boa construção e sem grandes danos físicos, foi, por força de uma necessária modernização, alvo de uma intervenção de fundo; o edifício respondia globalmente ao novo paradigma de escola pelo que, a introdução e correcção de infra-estruturas, tecnologias e grau de conforto foi feita de forma minimal. A concretização das premissas definidas pela Parque Escolar, através do programa funcional específico, determinou uma outra utilização, traduzido num aumento de área e na consequente ampliação do conjunto edificado.

Os dois novos volumes, resultado da intervenção proposta, procuram encaixar-se naturalmente na paisagem, organizando simetrias volumétricas, de alguma forma afirmativas e simultaneamente apagadas no terreno, por força da altimetria.

O primeiro volume, destinado à função primordial de Biblioteca, com acesso directo a partir da entrada principal da escola, tem como desígnio ser o cerne deste equipamento. Esta centralidade relativa aos acessos, é também reforçada pela sua implantação no centro do espaço livre, anteriormente utilizado como campo de jogos e que agora se pretende verde, proporcionando o ambiente de reflexão e estudo, próprio deste espaços.
O segundo, reimplanta o refeitório e o bar, abrindo-os sobre o jardim fronteiro a poente, e pela força da sua organização vertical em três pisos, permite reforçar a ligação dos corpos principais ao corpo das oficinas e aceder ao novo campo de jogos, internamente.

Consequência desta implantação, o corpo do antigo refeitório e do ginásio, na ala oposta ao agora criado, vocaciona-se para a função desportiva e manifestações de âmbito cultural, equilibrando funcional e vivencialmente o conjunto.

A deslocalização dos campos de jogos do espaço central veio permitir a reabertura da escola para esta área, valorizando a relação com o interior e readquirindo o estatuto de centro de sociabilidade. Do mesmo modo, a implantação dos campos de jogos na faixa lateral norte do lote permite vivificar estas áreas, até agora ocupadas por estacionamento.

Consequência das normas definidas para estas zonas desportivas, é proposta uma cobertura que pretende abrigar todos os campos de jogos. Porque as oficinas próximas exprimem na sua arquitectura, como era corrente à época, a função de equipamento industrial, através das coberturas de vidro e telha usadas de forma repetitiva, também a grande nave que cobre o campo de jogos se socorre de elementos de betão, que marcam o ritmo, e de estruturas metálicas e painéis de policarbonato alveolar translúcido na sua cobertura.

Sai assim reforçada e atada a aparente singularidade da edificação do corpo das oficinas, de menor qualidade construtiva, com a grande massa do edifício principal que define e identifica o equipamento com uma linguagem de fortes volumes e de vãos rasgados. Esta linguagem é determinante no desenho da proposta dos novos corpos, utilizando a sobreposição de volumes e a criação de grandes planos e generosas fenestrações, de uma forma que se pretende simples.

A simplicidade de intervenção, que procura corresponder à ideia original, revela-se nos espaços livres periféricos adjacentes aos edifícios, substituindo taludes por muros e aumentando as plataformas onde é possível permanecer e usufruir. Cremos se patente a vontade de abrir a escola ao espaço descoberto, estabelecendo a permeabilidade entre o interior e o exterior e alargando a todo o terreno, sem o hierarquizar, o uso do espaço escolar.
Embora a intervenção seja de dimensão substancial na sua globalidade, assume o respeito pela personalidade forte do complexo escolar, pelo que não impedindo a assumpção da contemporaneidade, contudo, não a exalta.
Nuno Ribeiro Lopes
Architects
Arquitectos