Escola Secundária de São Lourenço

Jan 2009

Fruto da aplicação de um projecto tipo a um terreno rochoso e bastante íngreme, o actual edifício da Escola Secundária de São Lourenço, em Portalegre, encontra-se encaixado em plataformas a diferentes cotas, proporcionado ligações entre os edifícios principais a vários níveis. Esta particularidade gera situações de atravessamento bastante originais, demonstrando uma enorme flexibilidade de adaptação de um projecto, pensado para um terreno naturalmente plano. A adaptação à topografia determina ainda a criação de espaços diferenciados com uma leitura mais intimista, gerando enfiamentos visuais normalmente parcelares e não permitindo que a leitura global do edifício seja possível aos primeiros olhares.
No entanto, ao longo do tempo, esta característica foi-se diluído já que o espaço descoberto perdeu agradabilidade, generalizou um único tipo de pavimento, concentrou a actividade escolar unicamente na sua área central, banalizando a qualidade e ocultando a diversidade espacial e visual.
Este conjunto, de boa construção e sem grandes danos físicos, é agora, por força de uma necessária modernização, alvo de uma intervenção de fundo.
Os dois novos volumes, resultado da intervenção proposta, procuram encaixar-se naturalmente na paisagem, organizando simetrias volumétricas, de alguma forma afirmativas e simultaneamente apagadas no terreno, por força da altimétrica.
O primeiro volume, destinado à função primordial de Biblioteca, com acesso directo a partir da entrada principal da escola, tem como desígnio ser o cerne deste equipamento. Esta centralidade relativa aos acessos, é também reforçada pela sua implantação no centro do espaço livre, anteriormente utilizado como campo de jogos e que agora se pretende verde, proporcionando o ambiente de reflexão e estudo, próprio deste espaços.
O segundo, reimplanta o refeitório e o bar, abrindo-os sobre o jardim fronteiro a poente, e pela força da sua organização vertical em três pisos, permite reforçar a ligação dos corpos principais ao corpo das oficinas e aceder ao novo campo de jogos, internamente.

Consequência desta implantação, o corpo do antigo refeitório e do ginásio, na ala oposta ao agora criado, vocaciona-se para a função desportiva e manifestações de âmbito cultural, equilibrando funcional e vivencialmente o conjunto.
A deslocalização dos campos de jogos do espaço central veio permitir a reabertura da escola para esta área, valorizando a relação com o interior e readquirindo o estatuto de centro de sociabilidade. Do mesmo modo, a implantação dos campos de jogos na faixa lateral norte do lote permite vivificar estas áreas, até agora ocupadas por estacionamento.
Consequência das normas definidas para estas zonas desportivas, é proposta uma cobertura que pretende abrigar todos os campos de jogos. Porque as oficinas próximas exprimem, como era corrente à época, na sua arquitectura a função de equipamento industrial, através das coberturas de vidro e telha usadas de forma repetitiva, também a grande nave que cobre o campo de jogos se socorre de elementos de betão que marcam o ritmo e de estruturas metálicas e painéis de policarbonato alveolar translúcido na sua cobertura.
Sai assim reforçada e atada a aparente singularidade da edificação do corpo das oficinas, de menor qualidade construtiva, com a grande massa do edifício principal que define e identifica o equipamento com uma linguagem de fortes volumes e de vãos rasgados. Esta linguagem é determinante no desenho da proposta dos novos corpos, utilizando a sobreposição de volumes e a criação de grandes planos e generosas fenestrações de uma forma que se pretende simples.
A simplicidade de intervenção, que procura corresponder à ideia original, está também patente nos espaços livres periféricos adjacentes aos edifícios, substituindo taludes por muros e aumentando as plataformas onde é possível permanecer e usufruir.

Cremos ser patente a vontade de abrir a escola ao espaço descoberto, estabelecendo a permeabilidade entre o interior e o exterior e alargando a todo o terreno, sem o hierarquizar, o uso do espaço escolar; o respeito pela personalidade forte do complexo escolar, o que não impedindo a assumpção da contemporaneidade, contudo, não a exalta.

Maqueta

Maqueta

Casa de chá - Areia Larga - Pico - Açores

Mar 2009

(Maqueta)

(Maqueta)

Casa do Ouvidor - Turismo Rural - Pico - Açores

Mar 2009

(Maqueta)

(Maqueta)

Imagem tri-dimensional

Imagem tri-dimensional

Teatro da Rainha

Mai 2009

Montagem com 3D

Montagem com 3D

Teatro Municipal das Lajes do Pico

Mai 2009

Acrópole XXI - proposta de concurso

Jun 2009

Proposta vencedora do concurso: Maio 2009

Saber envelhecer é aceitar a idade e a experiência, não nos refugiando numa redoma, afastados do mundo ou afirmando até à exaustão o nosso paternalismo; é disponibilizar a nossa história e informação acumulada, passando-a aos outros com quem nos cruzamos, sejam da casa ou forasteiros.
Essa disponibilização sé será aproveitada por outrem, se a embalagem for continuamente actualizada, ao ritmo da moda, mantendo a atractividade e a apetência para a partilha.
Mas, a imagem a cada momento não será a transcrição dos códigos do novo, sempre diferente e mais exigente, mas sim a interpretação desses códigos à luz da diferença, que a idade com as suas marcas introduz.
Assim é para os homens, assim é ainda mais para as mulheres, assim é para as cidades.

Todos nós à medida que o tempo passa, nos sentimos aprisionados num corpo que envelheceu, não entendendo porque deixamos de ser atractivos ou participantes à luz da novidade e juventude permanente, e que a contemporaneidade exige. Somos uma curiosidade, às vezes interessante e adulta; somos vistos, na maior parte dos casos, como um obstáculo à inovação.
Como pode então, uma mente jovem num corpo envelhecido, transmitir a visão interna, para além da barreira da imagem externa?
Questão constante que nos ocupa permanentemente e nos imobiliza e marginaliza.
Assalta-nos então, a vontade perigosa de parecer jovem através de um exercício travesti e bacoco; seremos quase sempre julgados como desprezo e condescendência pelos estranhos, e desajustada e passível de envergonhar quem nos é próximo ou convive connosco.
Manutenção, intervenções de actualização, discrição, adequação da maquilhagem e roupagem ao corpo, selecção da tendência, será então o caminho da afirmação da diferença e não o seguidismo tout-court da moda e que nega a idade.

Cerca de 10 anos após a intervenção no centro histórico, a propósito da aplicação do programa procom/urbcom a Évora, é notória a necessidade de continuar a experiência de requalificação e modernização dos espaços públicos da cidade.
O balanço da intervenção então executado é francamente positivo, já que permitiu o rejuvenescimento do seu aspecto global, conciliando a história e o seu património edificado com a modernidade da proposta do espaço exterior.
Uma cidade menos poluída visivelmente, mais sofisticada e mais funcional, sempre sobrevalorizando o peão, foram alguns dos objectivos postos na operação então iniciada.
A interrupção da operação e este hiato de cerca de 4/5 anos, vieram demonstrar a necessidade absoluta de continuação deste esforço e também a justeza dos princípios que então nortearam a intervenção.

1.reforço do espaço destinado ao peão
2.redução da excessiva variedade materiais e tipos de pavimento
3.utilização de granito como material base de suporte
4.utilização dos materiais de pavimentação por forma a facilitar a permeabilidade do solo
5.utilização do cubo de 5cm x 5cm e lajeado em zonas pedonais, associando este último processo a situações de percurso preferencial em espaços-canais
6.utilização de mármore em intervenções pontuais e marcantes
7.selecção cuidada dos locais de implantação de mobiliário urbano, evitando a sua descontrolada proliferação e tipos

O distanciamento que este hiato proporcionou, leva-nos a constatar quão apropriada é a intervenção agora proposta sob o nome de Acrópole XXI, e a adoptar soluções talvez mais substantivas na forma e imagem da cidade, mas, no nosso entender, necessárias para reforçar a sua atractividade e da sua zona mais emblemática.
Mantendo actuais os princípios então adoptados e já enunciados, prevê-se para a área do Templo e do jardim Diana uma alteração conceptual, atribuindo ao templo o papel central de toda a intervenção, colocando-o sobre um “plateau” ao nível da sua fundação e globalmente cerca de 35cm acima da cota actual dos arruamentos circundantes.
Esta solução permite unificar diferentes zonas, gerando uma imagem mais poderosa e mais atractiva. Esta aparente menorização do jardim Diana, remete para uma faixa lateral a este “plateau” a organização do novo jardim que se alonga e absorve o Palácio da Inquisição.

Esta plataforma suportada por elementos estruturais paralelos em betão pousados sobre o terreno, e unidas de 4 em 4 metros, de acordo com a malha utilizada vulgarmente na arqueologia e que não interferirá com as eventuais escavações, adquirirá no topo a leitura de uma folha já que a estrutura referida está recuada e a consola revestida a elementos metálicos em aço corten. Será encastrada iluminação por led’s (acessível superiormente) que reforçará a ideia de plano imaginário que repõe a cota do terreno primitivo.

Mais uma vez a solução corta com os diferentes zonamentos, estabelecendo, por afinidade e contraste uma unidade global de atracção superior. A transição por escadas e o remate por espelho de água ou bar transparente acentuam a nova dimensão deste conjunto e a sua relação com os níveis altimétricos anteriores e existentes.

Este bar revestido a vidro e coberto por lâminas também de vidro (fosco), separa a área de jardim da área de esplanada; esta por se encontrar à cota do terreno actual, permitirá a sua utilização sem excessiva interferência no perfil da plataforma contra o azul do céu.
A utilização de elementos transparentes pretende atenuar o impacto destes volumes e potenciar a animação nocturna de todo o espaço desta plataforma.

Esta intervenção permite clarificar a relação entre o espaço de templo e o conjunto formado pela Sé e Museu (Largo Marquês de Marialva e Dr. Mário Chicó); a diferenciação altimétrica permite desenhar o pavimento quadriculado nestes dois espaços e em torno daquele conjunto como uma unidade única, atraindo o visitante para a cabeceira da Sé onde o recuo do muro de suporte da plataforma defronte do Museu das carruagens, permite nivelar melhor aquele espaço, aproveitá-lo para uma esplanada e liberta a leitura da catedral.
Discordamos absolutamente com o estacionamento naquele espaço já que lhe retira dignidade e contraria o objectivo do agora proposto.

Esta mudança de atitude em relação à imagem tradicional desta área, é possível pela retirada do automóvel que hoje infesta toda esta zona não permitindo a fruição deste conjunto monumental de enorme beleza.
Esta retirada faz-se preenchendo o interior da caixa que suporta o nível actual do jardim Diana; esta solução talvez controversa, mas na continuidade do então defendido na intervenção procom/urbcom, pretende substituir, na proximidade, lugares de superfície por lugares não visíveis.

Quem visita Évora, autóctone ou forasteiro, depressa apreende a enorme ameaça que os automóveis representam e a inutilidade das propostas que acreditam ingenuamente que é possível por acções pedagógicas ou por acções de fiscalização. domar o estacionamento abusivo levando-o para o exterior das muralhas. Se tal o entendemos como necessário para abarcar a maior parte dos automóveis, tal não é verdadeiro para os moradores, utilizadores de unidades turísticas e uma necessária reserva para quem pretender utilizar os serviços ou comércio local.
Numa altura em que o centro histórico entrou em processo acelerado de desertificação e de perda de actividade funcional administrativa e comercial, soluções que invertam esta realidade deverão ser sustentadas paralelamente em fácil acessibilidade e em imagens simples, eficazes e atractivas.

Parece-nos muito pesado, em nome de uma preservação de um potencial arqueológico que não está demonstrado, não propor, sujeito à validação determinada pela escavação, a construção de um parque enterrado naquele local, que a proposta organiza com clareza e que tecnicamente não é de difícil execução. A dimensão do mesmo é a ajustada a realidade física do local e por esse motivo, não consegue cumprir o objectivo de 200 lugares estipulado em Caderno de Encargos.
Parece-nos muito pesada, a alternativa de criar unicamente parques exteriores à muralha, já que a topografia exigiria para que tal tenha utilização, sistemas mecânicos de transporte de pessoas muito mais intrusivos e desqualificadores da realidade patrimonial da cidade de Évora.

Finalizando o conjunto e apostando mais uma vez na inovação, propomos a construção de um restaurante sobre o depósito de água, de forma ovular e orientada para o espaço público.
Organizando todo o serviço de apoio na base do actual depósito com a construção de edifício parede sobre a plataforma, que descontinua a fachada do edifício do Governo Civil, liberta-se o espaço superior para uma caixa de vidro de formas arredondadas que ultrapassa o espaço limitado pela forma circular e se balança para a plataforma monumental agora redesenhada.
Mantendo a leitura da anterior função, pretende-se criar um objecto / escultura que aproveitando a sua altura e visibilidade, marque levemente a cidade como conjugação do antigo com o novo, do passado com o contemporâneo. Esta pequena intervenção permitirá também a fruição da vista global desta cidade densa, misteriosa, imensamente plástica.

A marcação de espaços canais por linhas transversais em granito, absorvendo a espaços as drenagens, e a criação de quadriculas nos espaços de estadia, organizam e hierarquizam a leitura dos espaços públicos à semelhança das zonas já intervencionadas aquando do programa procom/urbcom.
A utilização dos detalhes então executados será de primordial importância para a homogeneização da intervenção; nessa medida apresentam-se alguns dos cerca de 72 então elaborados, a exemplo do que atrás foi referido.

A organização do estacionamento em superfície terá em conta o solicitado em Cadernos de Encargos; optamos no entanto por localizar unicamente, aqueles que nos parecem não questionar a imagem global da solução; estacionamento no fim da rua 5 de Outubro ou defronte da Sé, são exemplos de locais que deveriam ser reavaliados tentando encontrar substitutos (parque de estacionamento subterrâneo, Palácio do Vimioso, etc.). A avaliação e proposta definitiva só poderá ser feita nas fases seguintes de execução da proposta, pois terá em conta o Plano de Mobilidade e o diálogo directo entre actores.
Também a localização dos depósitos de lixo em contentores enterrados, deverá ser reavaliada em função do potencial arqueológico, da sua acessibilidade e área de cobertura, e finalmente, em função da nova imagem que a cidade adquirirá com o fim do pleno estacionamento actual, nalguns casos dramaticamente caótico. Também aqui, só na fase seguinte e pelas razões já apontadas, será possível encontrar a sua localização exacta. Desde já, intervenções de relocalização ou de atenuação de impacto são necessárias como, a título de exemplo, na rua de Dona Isabel, 5 de Outubro, Rua Nova, Pátio do Salema, etc.
Também a escolha de mobiliário urbano será na continuidade das intervenções anteriores, o que assegurará, com pequenas alterações, a coerência das soluções então preconizadas.

Com a alteração promovida na proposta a implementação dos elementos escultóricos é totalmente reconsiderada.
Consideramos haver actualmente um número excessivo pelo que a sua reimplantação obedece ao novo desenho e distribui-se por área mais alargada.
O elemento escultórico no interior do actual tanque mantém-se dentro de água no alinhamento dos ciprestes.
O monumento ao Dr. Barahona é deslocado para o espaço privado, mas de utilização pública do Palácio de Inquisição, virado para o Templo e de costas para um vão que nós propomos abrir para os jardins do Fórum Eugénio de Almeida.
Os “namorados” como é conhecida, será deslocada para o espaço tardoz do Palácio da Inquisição e a “lua” será colocada na plataforma exterior do restaurante.

Os outros elementos serão retirados do local e posicionados eventualmente no Largo Dr. Mário Chicó (o mais alto e esguio) contra o novo muro de suporte e o caixão em sítio futuramente a estudar.

vista geral

vista geral

vista geral

vista geral

vista do jardim

vista do jardim

corte pelo jardim e estacionamento

corte pelo jardim e estacionamento

vista do interior do restaurante panorâmico

vista do interior do restaurante panorâmico

vista do jardim

vista do jardim

vista geral

vista geral

vista do restaurante a partir do jardim

vista do restaurante a partir do jardim

Urbanização da Junqueira

Abr 2010

Loteamento - Habitação
Em Reguengos de Monsaraz

Nuno Ribeiro Lopes
Architects
Arquitectos